A importância do aprendizado criativo e com base na resolução de problemas

Já pensou em aplicar a metodologia ativa denominada Aprendizado Baseado em Problema (Problem-Based Learning- PBL) com seus alunos ou funcionários da sua empresa?

Novas habilidades e competências docentes têm sido demandas na contemporaneidade no que tange o processo de ensino-aprendizagem de todas as áreas da ciência. Os desafios educacionais giram em torno, principalmente, de transformações de estruturas educacionais rígidas e de apropriação de tecnologias digitais no sentido de acompanhar o desenvolvimento científico, tecnológico, social, cultural, econômico e ambiental. O intuito basilar é a formação de profissionais éticos que sejam capazes de desafiar as desigualdades fortemente enraizadas nos sistemas vigentes.

Não há como pensarmos a educação neste século, sem nos atentarmos rigorosamente às finalidades e necessidades do ensino: a produção do conhecimento. E essa ação não é meramente técnica, envolve fatores complexos de apropriação do conhecimento por parte do alunado. É o momento de redefinição de práticas educativas na sociedade brasileira, a fim de promover uma reforma do pensamento que resulte na produção de conhecimento pertinente (MORIN, 2000). Diante dos sinais de necessidade de desenvolvimento de competências, pulsam os discursos sobre o uso de metodologias ativas, com enfoque problematizador, como estratégia voltada à integração de saberes e à promoção de uma atitude crítica e reflexiva sobre a prática.

Diante disso, lhes pergunto, vocês já foram apresentados à metodologia ativa denominada Aprendizado Baseado em Problema (Problem-Based Learning– PBL)? Esse é um método de aprendizagem inovador que pode ser aplicado em todos os níveis, da educação básica à pós-graduação e que eu utilizo com frequência nas turmas de graduação e especialização, por isso, senti a necessidade de compartilhar um pouco sobre o PBL aqui.

O melhor de tudo? É que ele pode ser utilizado por profissionais de TODAS as áreas, com a mesma finalidade: aprendizado diante de uma situação e resolução de problemas!

Vamos lá?

A Universidade McMasters em Hamilton, Canadá, foi a primeira a implantar, em 1964, o Problem-Based Learning ( PBL ). De acordo a Instituição[1], o PBL oferece uma maneira diferente de aprender comparado ao ensino universitário tradicional. O aprendizado baseado em problemas é uma forma ativa de aprendizado que oferta uma melhor retenção de conhecimento, aumenta a motivação e incentiva o aluno a desenvolver habilidades essenciais para o mercado de trabalho no século XXI. A Universidade de Maastricht considera o PBL uma forma dinâmica de aprendizado, ajudando a formar um profissional assertivo.

De acordo com relatório do Fórum Econômico Mundial (2018) uma das habilidades mais importantes para um profissional contemporâneo é aprender a resolver problemas complexos. A UM considera que essa é uma das grandes vantagens do PBL.

As etapas do PBL

Para efetivação do processo do PBL, são estabelecidas oito etapas que devem ser seguidas após a inserção de um problema, pelo professor tutor, com descrição neutra acerca de um fenômeno/ caso, que necessitada de uma explicação/resolução. Lançado o problema, a turma se divide em grupos e começa a executar o desafio referente à elucidação do caso.   Os discentes devem seguir as seguintes etapas de PBL:

  1. Leitura e análise do problema. Já com os grupos formados, os acadêmicos começam a identificar termos desconhecidos, sem buscar ainda por informações em meios físicos ou digitais. Fase: “Qual é o problema?”
  2. Identificação das questões/ problemas que precisam ser respondidas para que o caso seja esclarecido. Os alunos começam a listar tudo que sabem acerca do assunto; eles podem criar hipóteses sobre como podem resolver o desafio. É a fase do “por onde devemos começar?”
  3. Debate sobre o que o grupo já conhece e identificação de possíveis soluções, mediante análise do contexto referente ao problema. A fase agora é “vamos à sessão de brainstorming: qual o cenário do problema?”.
  4. Analise e estruturação dos resultados da sessão de brainstorming
  5. Formulação dos objetivos de aprendizagem. Nessa fase, os estudantes devem listar quais conceitos ou teorias precisam ser estudados para aprofundar os conhecimentos necessários à resolução do problema. Aqui, deverão ser determinados quais as fontes de ensino/pesquisa serão utilizadas. A fase é: “O que é fundamental aprender para resolver o problema? Quem vai pesquisar qual assunto e onde?”.
  6. Estudo independente ou em grupos menores. Nesse momento, os alunos já sabem os caminhos necessários para resolução do problema, então devem ler artigos ou livros, seguir práticas ou participar de palestras para obter o conhecimento necessário. “Quais autores/fontes eu vou estudar?”.
  7. Discussão de resultados, análises e interpretação sobre tudo que o grupo pesquisou. É o momento de compartilhamento de ideias sobre o que cada um aprendeu e definição de como o grupo irá apresentar as recomendações para solução do problema, sem esgotar o tema estudado. Fase do “ alcançamos nosso objetivo final, quais soluções vamos apresentar?”.
  8. Compartilhamento de descobertas e soluções, por meio de relatório e debate com toda a turma. É necessário que haja reflexão sobre o processo de aprendizado e acerca dos novos conhecimentos obtidos, sempre intermediados pelo professor-tutor.

E então, que tal implementar essa metodologia nas suas aulas ou empresa em que atua? Se tiverem dúvidas, é só dar um oi aqui ou nas minhas redes sociais, que a gente troca mais ideias sobre o assunto.

Por: Walline Alves Guimarães

Este texto foi extraído do artigo: ESTRATÉGIA CRIATIVA E INOVADORA NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO POR MEIO DO APRENDIZADO BASEADO EM PROBLEMAS: a percepção dos acadêmicos de publicidade e propaganda, apresentado no I Simpósio Internacional e IV Nacional de Tecnologias Digitais na Educação, no ano de 2019. Autoria de Walline Alves Guimarães.


[1] Ver em: https://www.maastrichtuniversity.nl/education

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