Viagens na era digital: até que ponto a experiência do outro é válida?

Na atual era da cultura digital, as pessoas estão se sentindo mais empoderadas para emitir opiniões em meios sociais digitais. Já deu para perceber, não é?

Autores como Henry Jekins apontam que essa necessidade de propagar ideias e conteúdos pode ser um ato de cidadania. A participação dos consumidores é motivada por eles acreditarem que suas contribuições importam para os outros e, normalmente, são feitas em espaços de comunicação em rede, assim, eles fazem circular conteúdos, recomendações, críticas, etc.

No ensejo da cultura participativa, deparamo-nos com os fandoms, termo considerado por Jenkins como um tipo de “coletividade” (agem de modo coletivo) e “conectividade” (alicerçados em comunicação em rede). Esse segmento de público das mídias, segundo o autor, é um dos mais ativos e sua presença está sendo percebida na cultura contemporânea; eles se recusam a serem receptores não participativos.

As pessoas acreditam que podem ajudar ao próximo informando, por exemplo, como foi a sua experiência com determinado produto ou serviço.  E sim, o público tem recebido com muito agrado essas opiniões. Tão logo, a experiência do outro passou a ter um peso ainda mais preponderante em nossas decisões de compra, principalmente.

Teste rápido:

Antes de viajar para uma cidade desconhecida você busca informações em algum site especializado?

Antes de pedir comida no Ifood, você dá uma espiada nas avaliações sobre o estabelecimento ?

Ante de ir comprar uma peça de roupa por meio de uma rede social digital, você checa os comentários para ver se teve algum relato ruim?

Caso alguma das respostas acima tenha sido sim, prossiga lendo esse post.

#realcase: comigo!

Na última semana, eu, meu esposo e um grupo de amigos viajamos para Natal –RN. A ideia, como sempre, não era se hospedar em hotel luxuoso, mas sim, em um lugar aconchegante e aproveitar ao máximo a cidade.  Assim fizemos. Ops, tentamos fazer!

Escolhemos, por meio do site Booking, uma pousada considerada “boa” pelas avaliações lá inseridas e que tinha uma localização super privilegiada: a praia de Ponta Negra. Até aí, tudo bem.  Reserva feita!

Dois dias antes da viagem, eu me atentei para verificar as avaliações em outro site: o Google. Lá, tinha muitas avaliações ruins, logo comecei a me preocupar. Mas, já não tinha o que fazer, teríamos que pagar para ver quem estava falando a verdade. A reserva estava paga e se cancelássemos teríamos 100% de prejuízo.

Chegando a Natal, tivemos a nada grata surpresa: a pousada Varandas da Praia (RN) ofertada pelo booking como “boa” era um verdadeiro cenário de horror: fossa aberta, lençóis rasgados, grades quebradas, oferecendo riscos aos clientes, sujeira no hotel, tapetes sujos, fiações elétricas do banheiro expostas, funcionários sem o mínimo de educação e com um agravante: estavam bebendo em horário de serviço! Ou seja: fomos vítimas de propaganda enganosa (vejam com seus próprios olhos…)

EXPECTATIVA

REALIDADE

Logicamente não ficamos nesse ambiente insalubre. Pegamos nossas malas e saímos em busca de outro lugar para nos hospedar. Por ser período de baixa temporada, conseguimos duas pousadas maravilhosas em uma localidade próxima.

Entramos um contato com a empresa Booking, mas até agora não obtivemos a devolução do nosso dinheiro. Eles querem negociar o pagamento de somente uma parte do valor pago à pousada, mas não é justo. Não desistimos da mesma por um motivo fútil. A pousada, além de insalubre, representava risco real aos seus clientes.

Conclusão

Hoje vivemos as etapas do pré-compra, compra e pós-compra com uma gama muito maior de produtos e serviços. Antes, nos dedicávamos a “estudar” sobre o produto ou serviço antes de adquiri-lo somente quando o mesmo tinha um valor agregado alto. Hoje não. Até mesmo a ida a um restaurante novo nos faz pesquisar previamente para sabermos acerca das experiências dos outros sobre o local.

Mas, após ter sofrido na pele o quanto a opinião do outro pode nos levar ao caminho “errado”, entendi que devemos, mais que nunca, relativizar sempre.

Segundo pesquisa do Euromonitor Brasil (2017), mais de 50% das vendas de hospedagem no Brasil foram online, tão logo, imagine quantas centenas de pessoas não tiveram experiências ruins como a minha e dos meus amigos nos últimos tempos?

A experiência do outro sempre será subjetiva, afinal, somos seres únicos e complexos. E por mais que vivamos em um mesmo contexto social e desfrutemos de uma mesma realidade econômica, há dezenas de fatores que nos levam a considerar algo como positivo ou negativo.

Portanto, por mais que as pessoas queiram colaborar com o próximo relatando suas experiências, a ordem deve ser sempre: PONDERAR e, claro, checar AO MÁXIMO a validade dessas opiniões em meios sociais digitais.

Apesar do prejuízo financeiro até agora NÃO ressarcido pelo BOOKING, a nossa viagem foi incrível!

Por: Walline Alves | Simplesmente Comunico

 

 

 

 

 

 

1 comentário Adicione o seu

  1. É aquele negócio. Ás vezes o barato pode sair caro. Claro que isso não é uma regra, ainda que toda regra tenhas suas exceções. Mas quando viajo, sempre busco mais de uma opinião sobre o lugar: Booking, TripAdivisor, etc… E sempre começo lendo as opiniões ruins, especialmente quando há um número grande de comentários assim. Às vezes os comentários ruins são relacionado a um incidente isolado, mas as vezes, quando o motivo se repete é bom ponderar sobre fazer a reserva ali. Geralmente escolho um hostel / hotel que tenha um número considerável de avaliações positivas em vários sites de reserva, como os que eu citei. Confesso que de todos os lugares em que me hospedei, apenas um ficou um pouco aquém do que estava descrito no Booking, mas nada parecido aí com tua experiência. De qualquer forma, sempre vale tomar uma segunda opinião.

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